Reflexões Espirituais num mundo maluco

Nós não nascemos com ódio… Apenas nascemos… Os modelos sociais é que nos ensinam a odiar… Amor não vende nada, Amor dá, enquanto o ódio vende armas, vende facas, vende bastões de baseball, vende venenos, ódio vende remédios…

Ódio vende chocolates, frustração, quem odeia come compulsivamente. Quem ama compartilha o seu alimento, compartilha o seu agasalho, compartilha o seu cobertor… É esta a sociedade que criamos, vivemos e alimentamos, a sociedade do eu, eu sou isso, eu sou aquilo… Eu sou branco, eu sou negro, eu sou Drag, eu sou gay, eu sou cristão, eu sou isso, eu sou aquilo… Eu quem?

Quem sabe o que é? Só há uma raça, a humana… A ciência reduz a fragmentos e identifica com a etiqueta do “eu sou”. A cultura reforça as diferenças todos os dias, as tradições eternizam… Ninguém pensa num Deus Negro, num Deus mulher, num Deus criança, num Deus Medusa com vários tentáculos amorosos saindo de sua cabeça, com uma tromba grande como nariz e olhar infantil, que tem um ratinho como amigo, um Deus Ganesh…

E assim caminha a humanidade, criando pecados e vivendo em sombras enquanto armamentista e beligerante, se julgam uma raça superior…

Somos humanos… Somos únicos?

Há sim uma sublime lição que todos nós podemos aprender…

“A Filha de Santo chegou para seu pai espiritual e disse: Pai, não aguento mais a minha vizinha! Quero matá-la, mas tenho medo que descubram. O senhor pode me ajudar?
O Pai respondeu: Posso sim minha filha, mas tem um porém…Você vai ter que fazer as pazes com ela para que ninguém desconfie que foi você, quando ela morrer. Vai ter que cuidar muito bem dela, ser gentil, agradecida, paciente, carinhosa, menos egoísta, retribuir sempre, escutar mais…Tá vendo este pozinho aqui? Todos os dias você vai colocar um pouco na comida dela. Assim, ela vai morrer aos poucos.
Passado os 30 dias, a filha voltou e disse ao pai: Eu não quero mais que ela morra! Eu passei a amá-la. E agora? Como eu faço para cortar o efeito do veneno?
O pai, então, respondeu: Não se preocupe! O que eu te dei foi pó de arroz. Ela não vai morrer, pois o veneno estava em você!”

Quando alimentamos rancores, morremos aos poucos. Que possamos fazer as pazes conosco e com quem nos ofendeu. Que possamos tratar os outros, como gostaríamos de ser tratados. Que possamos ter a iniciativa de amar, de dar, de doar, de servir, de presentear…e não só de querer ganhar, ser servido, tirar vantagem e explorar o outro.

Que o amor nos alcance todos os dias, pois não sabemos se teremos tempo de nos purificarmos com este antídoto chamado perdão e altruísmo.

A cultura dos rótulos, das etiquetas está tão enraizada na espécie humana, tão emaranhada no falso conhecimento… a gente não lê a alma da pessoa, a gente lê o rótulo… É negro, é branco, é católico, é pagão, é santo, é pecador, é pegador, é veado, é gay, é putinha…

A gente não aprendeu a ler as almas, a se encantar com a magia da vida que nos acorda todas as manhãs… Não somos nós quem acordamos, é a vida que nos acorda com essas etiquetas sociais… é hora do café da manhã, do almoço, do jantar, é hora de trabalhar, de dedicar, de governar, de limpar o lixo acumulado, de varrer o tapete ou colocar a sujeira embaixo do tapete, dizem as etiquetas das horas, fecha as pernas, você é uma mocinha, homem não chora, é cedo demais para dormir, agora não é hora de comer…

perdemos a relação com a barriga, com a fome, com o instinto, negamos e desconhecemos o instinto porque usamos relógios e agendas, tá bom, celulares, que nos governam o tempo, a agenda, a vida… e com isso deixamos de viver, deixamos de sentir…
As culturas das etiquetas são tão fortes… mulher é sexo frágil, homem não chora, é preciso “matar” um leão por dia… e por ai vai… matar um leão por dia? porque? pra que? nunca contradizemos as etiquetas… você tem que ser alguém na vida, de preferência um médico, um doutor… dê orgulho à sua família… médico é sinônimo de honra? de riqueza? de orgulho? não existem médicos gays? médicos não podem ser gays? médicos não se corrompem? médicos não podem falhar, não podem errar? médicos não roubam? médicos não usam drogas? etiquetas e mais etiquetas…

Você tem que ser advogado, toda a sua família foi de advogados… você tem que ser também, seguir a tradição da família, e te colocam etiquetas, você não pode ser bailarino, dançar é coisa de bicha – eles dizem com suas etiquetas… vai ser músico? fudeu, músico não ganha dinheiro, músico sofre, você vai tocar no metrô, dizem as etiquetas…
Perdemos a conexão com a alma, com o encantamento da vida, com a magia da imensa diversidade da terra, tantos animais diferentes no mundo inteiro, e animais não são gays? não praticam homossexualismo? Homossexualismo é coisa do bicho homem… dos homens animais? esses bichos, alguns nem conhecemos ainda, tantos bichos diferentes, tantas plantas diferentes, algumas nem conhecemos ainda, tantos minerais… mas a ciência coloca etiquetas, ciência é a arte de etiquetar, é burro se não souber o saber, vamos validar a ciência pois a ciência é o saber… você é burro se não estudar, só a ciência pode nos salvar, como a religião, ela também nos salva… de que? qual é a salvação? o sol toca o ímpio e o santo, tanto quanto a ciência os toca, o cancer também os toca, o alcoolismo idem… o cancer contamina o santo e o ímpio e aos cientistas também, a morte nos torna iguais, não há seleção…

Com isso perdemos a magia que nos absorve…
Com isso perdemos a alma, o sentido de viver, o sentir e o viver, nos perdemos como milhares de pessoas, que são objetos perdidos em meio a multidão, de zumbis autômatos, preocupados com o dia de amanhã… deixando de viver o hoje, o agora, juntando seus milhões para deixarem às futuras gerações de herdeiros, para se consumirem na droga, uma droga de vida…

Isso tudo é apenas uma maneira de você gastar seu dinheirinho, comprar suas roupinhas tradicionais, usar as marcas de consumo, dar o seu dízimo e se neutralizar na sua verdadeira natureza: Deus…

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