O que é ser um hipster hoje em dia?

Eles fizeram moda. Eles foram um sucesso. Eles arrebentaram os padrões e transformaram o antigo em algo novo. Agora eles são apenas idiotas…

Os hipsters surgiram numa mistura de testosterona barbuda com a delicadeza do xadrez e dos coletes. No início eram apenas publicitários brincando com seus bigodes, mas a coisa foi ficando séria e deu no que deu – uma tendência, uma moda, um estilo de vida que, finalmente, começa a fracassar!

hipster
Um hipster típico

Como identificar um hipster?

Eles tem um arzinho arrogante e citam séries americanas sem pestanejar. Suas piadas são geralmente reproduções de textos do Connan O’Brien e são, na sua maioria, ateus, pois Deus não é nada chique. Eles inserem vários neologismos nos seus discursos porque acham que é muito cool e super in quando você mostra o seu conhecimento, não só em outra língua, mas no estilo de vida americano. Eles preferem Hemmingway a Jorge Amado e nunca perdem os lançamentos do cinema.

Como diria o nosso amigo Yahoo Respostas (eterna fonte de sabedoria online), hipster são:

…os “iniciadores de tendências”. Geralmente jovens, são pessoas “normais” (o que é normal? errrr), que fazem faculdade, trabalham, convivem tranquilamente com outras pessoas, mas que geralmente são da alta classe social. Ta, não sejamos míopes: é possível um Hipster que não tenha grana. Este geralmente compra suas roupas em brechos e precisa ter mais criatividade para combinações exóticas com o que tiver na mão, mas jamais bregas! Um Hipster não é brega e nem cafona, ele se veste bem, com roupas de boa qualidade, mas com uma combinação incomum, diferente e que não está na moda hoje, mas isso pode vir a ser moda futuramente (2 ou 3 anos mais tarde). São formadores de opinião, criadores de tendências para moda, música e para festas e baladas. São sempre os primeiros, tanto para iniciar algo quanto para descartar esta idéia assim que ela vira de fato modinha, ou seja, quando nós (pobres mortais) achamos que estamos abafando porque descobrimos que casaco de motoqueiro voltou à estar na moda e começamos a usar primeiro que todo mundo da faculdade (uhu!). Sim, estão sempre um passo à frente: fizeram isso com os bones Van Dutch, a volta do modelo anos 80 do Ray Ban (aquele que o Tom Cruise usou em Risky Business), o lenço keffieh e o chapéu estilo mafioso. O nome “hipster”, inclusive, vem de hip, que significa moderno, inusitado, inovador.

O texto acima foi, claramente, escrito por algum hipster.

O que um hipster procura?

Fato é que são apenas homens querendo chamar a atenção de alguma forma, tentando fazer sucesso com as mulheres, conseguir destaque na multidão uma vez que seus perus são muito pequeninos e eles se sentem inseguros com isso. Mais fato ainda é que, como toda modinha, os hipster se viram reféns da própria fama: todo mundo resolveu virar hipster e a coisa perdeu a graça. É difícil viver uma modinha com um discurso de contrariar a moda; a coisa se transforma em um paradoxo insustentável e o tempo, ah o tempo, sempre implacável, dá conta de finalizar as tendências hipócritas que dizem ser contra as tendências.

Hoje eles tentam o discurso do “old-school” hipster – mais uma vez um termo em inglês para aumentar a descolagem da coisa – tentando separar aqueles que eram hipster desde o começo da história daqueles que se hipstearam depois que a coisa bombou. Procuram criar uma diferença de acordo com o tamanho do bigode, a combinação inusitada de listrado e xadrez, mas fato é que, assim como os estudantes de datilografia e os trabalhadores de central de bip, os hipsters perderam o seu momento e estão em decadência.

Diferentemente dos metrossexuais que continuam com tudo, lindões, pegando todo mundo e abusando da moda – o que eles nunca esconderam de ninguém.

Moral da história: a hipocrisia é um bichinho que mora no bigode.

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